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terça-feira, 14 de agosto de 2018

O que oferecer a uma recém mamã

Quando nasce um bébé  são muitas as pessoas que nos querem ver. Amigos e família dividem-se entre visitas ao hospital e visitas a casa. Mas o assunto visitas fica para outro post. Hoje escrevo sobre os presentes. Normalmente oferecem roupa e brinquedos ao recém nascido. Não digo que não seja útil, mas roupa a criança tem muita ( a maior parte dos pais trataram do assunto antes do nascimento, compraram e pediram emprestado a quem tem crianças com idades próximas) e os brinquedos , não são aquilo que a criança precisa nos próximos meses. Quem realmente precisa de presentes é a mãe. É ela que está exausta, que dorme pouco, que cuida do recém nascido que dela depende para viver. Então se vocês querem mesmo ficar no coração de quem acabou de ter um bébé façam o seguinte:

- Ofereçam uma massagem à mãe ( o corpo e a cabeça dela agradecem) ; 

- Apareçam lá em casa com o almoço ou o jantar já preparado ( cozinhar nos primeiros dias de vida de uma recém nascido é uma tarefa dificil);

- Ofereçam uma cesta de fruta variada ( amamentar dá fome e sede);

- Levem as panquecas preferidas da vossa amiga (acreditem que enfiar o dente em panquecas com nutella pode ser o melhor presente do mundo);

- Ofereçam um serviço de cabeleireiro, manicure, depilação ao domicilio da sparkl ( nos primeiros tempos de vida do bébé sair de casa pode ser mais dificil, e cuidarem de nós em casa é um mimo espetacular);

Se precisarem de mais ideias é só perguntar que isto de ter sido mãe há menos de um mês torna-me especialista no assunto.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Os dias parecem todos iguais ...

Quando vivemos dentro de uma bolha de amor, o mundo exterior parece muito distante. O trabalho já não importa. Os dias da semana deixam de existir. As vinte e quatro horas do dia passam ao ritmo das horas de mamar, da muda da fralda, das massagens para as cólicas, do banho. Alguém colocou a vida em modo pausa para que aqui em casa nos habituemos à nova vida com o nosso menino. Os assuntos sérios das pessoas crescidas são trocados por beijinhos, colo, mimo. As agendas servem só para anotar os dias de ir pesar o Manel, de irmos ao Pediatra ou o dia das vacinas. Temos todo o tempo do mundo para nos conhecermos. Bem precisamos de tempo. Ele agora chora com fome, depois o choro sofrido parece ser de cólicas, agora o choro parece incomodo com o calor. E digo parece, porque ainda o estou a conhecer... O meu bébé é um mundo de coisas novas nem sempre fáceis de entender. Só agora percebo porque ficamos burras com a maternidade. O cérebro está meio entorpecido, sem ritmo para grandes raciocínios. É propositado. Só nos é pedido que consigamos sermos mães (o que é por si só uma profissão a tempo inteiro). Agora a prioridade é conhecer o bébé, dar-lhe conforto, fazê-lo sentir-se seguro e amado. Eu preciso de estar tranquila, para que ele adormeça sereno. Leio alguns livros sobre a maternidade não com o propósito de estabelecer regras ou métodos. Procuro sim perceber melhor o meu bébé e toda a ajuda é bem vinda. Percebo que não estou sozinha. Que há mais mães que passaram pelas mesmas dificuldades. Há coisas que só o tempo e o amor que sinto por ele me vão ajudar a perceber ...


Sgestões de leitura :

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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Eu era uma pessoa que dormia 8 horas por noite...

Uma das questões que sempre me assustou na maternidade era a suposta privação do sono. Desde que me conheço que durmo imenso. Oito horas de sono por noite são sagradas, mas também podiam ser nove ou dez. Admiro pessoas como o Prof. Marcelo, mas para mim dormir quatro a cinco horas torna-o num extraterrestre!  Com o nascimento do Manel os meus hábitos de sono modificaram-se. Eu amamento, logo de três em três horas ele pede leite. Passaram três semanas desde o nascimento do baby boy. Há dias em que estou exausta, outros sinto-me apenas muito cansada. Mas a verdade é que consegui adaptar-me a esta nova rotina de dormir por intervalos de duas, ás vezes três e muito raramente quatro horas. Não encontro explicação racional para a minha superação física da privação de um descanso que sempre considerei sagrado. As hormonas e o amor de mãe devem dar-nos uma capacidade extraordinária de superação dos nossos próprios limites. o que mais vou eu aprender ao longo das próximas semanas? Não sei, mas aposto que me vou surpreender novamente. Isto de ser mãe é mesmo extraordinário.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018


37 anos, e uma mão cheia de razões para me sentir grata com tudo o que a vida me trouxe. Ao longo da nossa vida passamos por duras travessias no deserto. Anos que parecem não ter fim, tristeza e mágoas que demoram a suavizar. Mas depois a vida oferece-nos em dobro tudo aquilo que nos faz falta. Os meus 36 anos foram repletos de felicidade. Foram 365 dias cheios de emoções fortes. Casei, engravidei e fui mãe. Que os 37 me tragam serenidade para usufruir em pleno de tanto amor!
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Summer Outfit


O Verão chegou com o mês de Agosto e pede peças leves e frescas. Aqui fica uma sugestão para um passeio de fim de tarde pela cidade, ou para um jantar depois da praia.



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Manuel, 12 dias


Ontem regressámos ao estúdio da Susana Schmitz. Tal como referi, ela fotografa recém-nascidos com uma dedicação extraordinária. Digo isto não só pelo resultado final das fotografias, mas pela forma como os trata durante a sessão. A Susana tem umas mãos de fada. Veste-os, despe-os, muda-os de posição sem que eles acordem. Tudo é feito para respeitar o sono do bébé. O estúdio está aquecido para que não tenham frio, tem fraldário, almofada de amamentação. Nada foi deixado ao acaso neste espaço que está preparado para receber os nossos bébés. Adorei e recomendo! 

PS: foto tirada com o meu telemóvel. O trabalho final da susana mostro em breve.
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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Puerpério, a realidade mora aqui ...

Ter um bébé pequenino em casa faz com que a vida entre noutra dimensão. Vivemos a um ritmo muito próprio das circuntâncias. Há uma espécie de bolha de amor que nos isola do mundo exterior. Nada mais importa. Somos só nós os 3, a aprender a viver como família. Mas nem tudo é fácil. Nos primeiros dois ou três dias, estava exausta do parto e só tinha vontade de chorar. As horas de sono são poucas e não ajudam o corpo a recuperar. Depois veio a subida de leite, mamas doridas, mamilos gretados. Continuo a perder sangue. Ando com cuecas de incontinência por ser muito mais prático e higiénico (nada estético, parece que tal como o meu filho uso fralda). Confesso que há dias em que me esqueço de tomar banho, tal não é o meu foco nos cuidados ao Manel. Os dias passam entre muda da fralda, dar de mamar, dar banho, acalmar as cólicas... É fácil no meio disto perdermo-nos de quem somos. Aproveito os periodos em que ele dorme, para dormir também. O pai ajuda a cuidar da casa, vai às compras, faz comida. No dia em que o Manel fez 1 semana de vida conduzi pela primeira vez. O pai ficou a vigiar-lhe o sono e eu fui aproveitar a janela de 3 horas em que ele normalmente está a dormir. Perdi 8 kg em 8 dias. Enfiei-me novamente num vestido tamanho M (com fralda por baixo, garanto que não se nota nada), perfumei-me e fui apanhar ar. Tomei café e fui ao cabeleireiro. Precisava de ar da rua. Ar que não esteja saturado de cheiro a leite e cócós. Senti-me bem, feliz e bonita. Cuidarmos de nós é importante. O bébé precisa de uma mãe feliz e tranquila. Regressei a casa com energia reforçada.
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domingo, 29 de julho de 2018

Declaração de amor ao meu marido ...


Foto: Pau Storch

Amo ainda mais o meu marido depois do nascimento do Manel. Recordo cada hora do meu trabalho de parto com ele sempre ao meu lado. Umas vezes a rir, outras a brincar, outras com ar de desespero por ver o meu sofrimento durante as contrações. Foram horas de cumplicidade de um momento tão nosso. O L. colocava-me soro frio na cara durante as contrações, abraçava-me, ajudava-me a respirar quando eu já não o sabia fazer. Vi-o chorar já depois do Manel ter nascido, numa descarga de adrenalina brutal por tantas horas de emoções tão fortes. Ele não se poupou a nada. Quis assistir ao processo todo, e isso incluiu o meu sofrimento fisico e emocional. O Manel tem uma semana de vida e tem sido maravilhoso ver como o ele cuida do nosso filho. Tenho comigo um amigo, marido e agora o pai que sempre quis para os meus filhos. Sou uma mulher com o coração cheio ...



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sábado, 28 de julho de 2018

20 Julho 2018, 10h 08 m

O Manel mostrou à nascença que é um rapaz cheio de personalidade e de convicções. Decidiu quando e onde nascer. A indução do parto estava marcada para dia 26 Julho, num Hospital privado em Lisboa. Foi o último hospital onde trabalhei como enfermeira. Conheço toda a gente, a minha Obstetra está em Lisboa, por isso, apesar de vivermos no Porto, eram esses os planos. Dia 18 Julho às 23h 30m comecei a sentir contrações, primeiro de 40 em 40 minutos, depois de 30 em 30. Já sabia que não valia a pena ir para o hospital antes de serem de 10 em 10 minutos, por isso quando a dor acalmou, estava cheia de sono e fui dormir. Este era o momento para colocar a mala no carro e viajar até Lisboa. Curiosamente a minha Obstetra ausentou-se do país durante 4 dias (18 a 22 Julho). Decidi que não fazia sentido fazer a viagem de 2h 30m quando a pessoa que me ia ajudar a trazer o Manel ao mundo não estava presente. O meu plano B passou a plano A. Se de manhã as contrações voltassem iria para a maternidade pública do Porto, o Centro Materno Infantil (antiga Maternidade Júlio Dinis). Enquanto isto, o meu marido dormia profundamente... As 7h da manhã do dia 19 Julho as contrações não mentiam e repetiam-se de 10 em 10 minutos. O Manel estava a bater à porta. Tinha entrado em trabalho de parto. Arranjei tranquilamente a minha mala. Tomei banho, às 9h estavamos na maternidade. Fiquei internada, mas tinha apenas 1 cm de dilatação. O meu marido ficou comigo numa espera que parecia longa. As horas passavam e cada vez que me vinham avaliar a dilatação permanecia igual. Caminhei no corredor, fiz exercícios na bola de pilates. Nada fazia avançar a minha dilatação. Como o processo estava demorado o meu marido foi dormir a casa. Embora os pais possam ficar no hospital durante a dilatação, as cadeiras ao lado das camas são desconfortáveis e ele precisava de energia para o dia seguinte. 1h da manhã ... estava deitada quando as águas rebentaram. Literalmente a sensação de fazer xixi pelas pernas abaixo, mas em quantidades indescritiveis. E agora sim, não sei o que aconteceu mas as contrações passaram a ser muito próximas e dolorosas. Pedi epidural. A enfermeira disse-me que tinha apenas 2 cm de dilatação. Mas eu estava tão cheia de dores que supliquei pela famosa anestesia. A enfermeira  ajudou e fez-me um toque mais profundo para aumentar a dilatação. 3 cm ... venha a epidural. Levaram-me para a sala de partos. Liguei ao meu marido para vir ter comigo. Nessa noite estavam dois anestesistas de serviço. A anestesista surgiu apressada, brindou-me com o seguinte discurso:

- Vá , vamos lá. Tem de estar quietinha, para eu fazer isto rápido porque tenho de voltar para o bloco. Tem de colaborar comigo.

Vira-se para uma das enfermeiras e diz:

- Vocês hoje decidiram pedir epidural para todas. Mal chegam aos 3cm chamam.

Ora eu, cheia de contrações dolorosas e pouco espaçadas, acho que nem 1 minuto aguentava sem me contorcer toda. Supliquei que aguardasse pelo alivio do fim da contração para me posicionar corretamente para a epidural.

- Assim vou-me embora, não consigo esperar. Tenho situações urgentes no bloco. Chegue para aqui as costas e esteja quieta. Não se mexa.

Não vos consigo dizer o quando sofri naqueles minutos que pareceram horas. As dores das contrações eram insuportáveis. A anestesista estava sem paciência. Foi arrogante e só aumentava o meu desespero.  Após a epidural começaram a dar-me fármacos pelo cateter. Mas o alivio pouco durou. O meu marido chegou e eu contorcia-me toda agarrada a ele. Estive assim entre a 1h e as 5h da manhã. Como enfermeira que sou sabia que sentia demasiado as pernas, que após a epidural os doentes não sentem dor. Por isso no meio do desespero eu tinha uma certeza : o cateter epidural estava mal posicionado! Supliquei por novo anestesista e a repetição do procedimento. As enfermeiras conseguiram trazer outro anestesista à sala de partos. O discurso daquela noite parecia ser o mesmo.

- Vamos lá despachar isto. Esteja quieta, não se mexa. Tem de colaborar.

Eu estava a morrer de dor. Foram quatro horas sem epidural, e com contrações dolorosas. Estava exausta. Sabia que se não fosse feito alguma coisa não ia conseguir colaborar no periodo expulsivo devido à minha exaustão. Precisava de descansar, de estar fisica e mentalmente em sintonia para ajudar o Manel a percorrer a parte final do canal de parto. Mais uma vez o anestesista não quis saber. Só queria que eu estivesse bem posicionada e quieta. Rezei. Rezei baixinho. Pedi a Deus que me aguentasse por 1 ou 2 minutos as contrações. Desta vez o cateter tinha de ficar no sitio. Apertei com força as mãos das enfermeiras. Cateter colocado. Fármacos administrados. E finalmente a dor parou. A epidural é isto (quando bem feita claro). Comecei a falar e a respirar normalmente.  Seguiram-se 5 h tranquilas sem dor. A dilatação a progredir a bom ritmo. 8h 30m  Estou há 24 horas em trabalho de parto. Muda o turno. Entra a enfermeira Sofia na sala de partos. É ela que me vai fazer o parto. Ajuda-me a dilatar. Posiciona a cabeça do Manel que parece estar rodada. Explica-me como fazer força de forma a puxar o Manel cá para fora.Durante 1h 30m estive a dar o litro no ginásio. Literalmente. A cada contração eu fazia força guiada pela voz e pelas mãos da enfermeira Sofia. 10 h O meu marido faz força na barriga para empurrar o Manel para baixo. Entra uma obstetra para amparar o Manel na manobra final. A enfermeira Sofia com uma voz doce comanda a situação. Pede-me que me irrite com ela. Que me zangue. Que faça muita força porque a cabeça está mesmo a sair. Cerro os dentes. Sinto as entranhas a contrairem-se. Sinto a cabeça dele a sair. Estou toda suada. O meu marido despeja-me soro pela cara. 10 h 08 m o Manel chora... estou exausta. Colocam o menino junto a mim para o contacto pele a pele. Parir é qualquer coisa de verdadeiramente animal. Fiquei com a certeza que depois disto correr os 42 kms da maratona vai ser peanuts ...
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